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quinta-feira, 7 de maio de 2009

Barca



-Pintura: Monet.

Barca Bela - Almeida Garrett. (Poeta Português)

Barca Bela

Pescador da barca bela,
Onde vais pescar com ela.
Que é tão bela,
Oh pescador?

Não vês que a última estrela
No céu nublado se vela?
Colhe a vela,
Oh pescador!

Deita o lanço com cautela,
Que a sereia canta bela...
Mas cautela,
Oh pescador!

Não se enrede a rede nela,
Que perdido é remo e vela,
Só de vê-la,
Oh pescador.

Pescador da barca bela,
Inda é tempo, foge dela
Foge dela
Oh pescador!

sábado, 24 de janeiro de 2009

Poesia

Canção da plenitude
Lya Luft.

Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)
O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.

- Ainda amo você...embora não devesse.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Amazonas. Rio.

Amazonas - Pablo Neruda
Amazonas,
capital das sílabas da água,
pai patriarca, és
a eternidade secreta
das fecundações,
te caem os rios como aves, te cobrem
os pistilos cor de incêndio,
os grandes troncos mortos te povoam de pefume,
a lua não pode vigiar-te ou medir-te.
És carregado de esperma verde
como árvore nupcial, és prateado
pela primavera selvagem,
és avermelhado de madeiras,
azul entre a lua das pedras,
vestido de vapor ferruginoso,
lento como um caminho de planeta

Pablo Neruda (Parral, 12 de Julho de 1904 — Santiago, 23 de Setembro de 1973) foi um poeta chileno premiado com o Nobel de Literatura de 1971, um dos mais importantes poetas da língua castelhana do século XX e cônsul do Chile na Espanha (1934-1938) e no México.

domingo, 1 de junho de 2008

Fácil...

Nem tudo é fácil

É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.
É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada
É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.
É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas...
É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o...
É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente algo, diga...
É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar
alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça...
É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o...
É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é fácil na vida...Mas, com certeza, nada é impossível
Precisamos acreditar, ter fé e lutar
para que não apenas sonhemos, Mas também tornemos todos esses desejos,
realidade!!!

- De Cecília Meireles -

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Só poesia.





Dialética.

É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho lindo
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...

Vinicius de Moraes.

- Adaptado. -

sábado, 15 de dezembro de 2007

Poesia.


AO ALEIJADINHO
Murilo Mendes
16/01/2004

Pálida a lua sob o pálio avança

Das estrelas de uma perdida infância.

Fatigados caminhos refazemos

Da outrora máquina da mineração.



É nossa própria forma, o frio molde

Que maduros tentamos atingir,

Volvendo à laje, à pedra de olhos facetados,

Sem crispação, matéria já domada,



O exemplo recebendo que ofereces

Pelo martírio teu enfim transposto,

Severo, machucado e rude Aleijadinho



Que te encerras na tenda com tua Bíblia,

Suplicando ao Senhor – infinito e esculpido –

Que sobre ti descanse os seus divinos pés.
- vivercidades -

Poema de Natal



Vinicius de Moraes.

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos
para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Gosto.

Como es duro este tiempo espérame:
vamos a vivirlo con ganas.
Dame tu pequeñita mano:
vamos a subir, vamos a sentir y saltar.
Somos de nuevo la pareja
que vivió en lugares de hirsutos,
en nidos ásperos de roca.
Como es largo este tiempo,
espérame con una cesta,
con tu pala,
con tus zapatos y tu ropa.
Ahora nos necesitamos
no solo para los claveles,
no solo para buscar miel:
necesitamos nuestras manos
para lavar y hacer el fuego,
y que se atreva el tiempo duro
a desafiar el infinito
de cuatro manos y cuatro ojos.
(Pablo Neruda)

Ceci

“Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.” (Cecília Meireles)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

e.e

in spite of everything

in spite of everything
which breathes and moves,since Doom
(with white longest hands
neatening each crease)
will smooth entirely our minds

-before leaving my room
i turn,and(stooping
through the morning)kiss
this pillow,dear
where our heads lived and were.

ee cummings

Em forma de

Poesia:

nalgum lugar em que eu nunca estive,
alegremente além
de qualquer experiência,
teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há
coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar
porque estão demasiado perto

teu mais ligeiro olhar
facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado
como dedos, nalgum lugar
me abres sempre pétala
por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente, misteriosamente)
a sua primeira rosa

ou se quiseres me ver fechado,
eu e
minha vida nos fecharemos belamente,
de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente
descendo em toda a parte;

nada que eu possa perceber
neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade:
cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e
o sempre cada vez que respira

(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre; só uma parte de mim
compreende que a
voz dos teus olhos é mais
profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva,
tem mãos tão pequenas
(e. e. cummings)

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Algum soneto.


William

Alguns sonetos de William Shakespeare.São 154 sonetos, aqui tem alguns:
Soneto 17 :
"Se te comparo a um dia de verão
Es por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão e bem pequeno.
Às vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que ao belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.
Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderas;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:
Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver."