terça-feira, 29 de julho de 2008

América Latina.

Desigualdade e democracia na América Latina
"Em artigo recente na revista Nueva Sociedad (nº 215), o cientista político Hans-Jurgen Burchardt observou que é nos países da América Latina, mais do que em outra parte, que a democracia enfrenta o teste crucial de sua legitimidade. O continente caracteriza-se, ao mesmo tempo, por ser o mais democrático do (antes chamado) Terceiro Mundo; e também por ser o mais desigual do mundo. É na América Latina que se registram as disparidades mais dramáticas não somente em termos de concentração da renda, mas também de acesso aos serviços essenciais, como educação, saúde, energia e telecomunicações, além de acesso à justiça e aos recursos de poder. Pior ainda: em muitos países latino-americanos a desigualdade aumentou à medida em que avançava a democratização.
(...) Essa constatação reintroduz a questão social como prioridade na agenda política da região, e convoca a uma reflexão sobre a democracia, submetida, em razão da desigualdade, a um processo de “erosão de sua legitimidade”, na expressão de um estudo do Programa da ONU para o Desenvolvimento (PNUD). Nesse sentido, é interessante observar que a questão social se impôs à agenda política latino-americana como resultado das pressões dos movimentos sociais, e foi isso que contribuiu para intensificar a percepção da crise profunda dos processos de representação da democracia tradicional -- esta, sim, responsável pela persistência e expansão da desigualdade, por conter a questão da igualdade nos limites estreitos da igualdade jurídica: o direito de voto. Democracia é muito mais que o direito de eleger os governantes.
(...) Mas a mobilização política, em torno da palavra do líder, que caracteriza o populismo, não pode ser confundida com participação política. O enfraquecimento das instituições democráticas e a concentração de poder de decisão numa liderança carismática somente contribuem para reforçar o autoritarismo e, assim, afastar o ideal da participação democrática."
O trecho acima faz parte do artigo semanal do deputado estadual Rui Falcão (SP). Ele foi deputado federal, presidente do PT e secretário de governo na gestão Marta Suplicy.
- Do blogdonoblat. -

Um pássaro e um mapa.



- da revista veja. -

Nos mares do mundo.

O desastre saiu barato
A maré negra
Pássaro coberto pelo petróleo do Exxon Valdez: 400 000 aves mortas
Qual a indenização justa a ser paga por um dos maiores desastres ambientais já causados pelo homem? No mês passado, depois de catorze anos de disputa judicial, a Suprema Corte dos Estados Unidos chegou a uma decisão no caso do petroleiro Exxon Valdez. A ExxonMobil, dona do navio, não deve ser multada em mais de 500 milhões de dólares, quantia igual à que já pagou a título de indenização às pessoas afetadas pelo vazamento de petróleo no Alasca, em 1989. Parece muito dinheiro, mas representa apenas 10% do valor estipulado pela primeira sentença, em 1994. Para a maior empresa petrolífera do mundo, isso equivale ao lucro obtido em cinco dias de operação.
O desastre do Exxon Valdez é um símbolo ambientalista não apenas pela quantidade de petróleo que vazou no mar ou por ter atingido um santuário de vida natural até então intocado pela mão humana. Pesaram também as evidências da falta de cuidado com que uma empresa petrolífera gigantesca lidava com a questão ambiental. Comandado por um capitão alcoólatra, o navio estava fora das rotas normais de navegação quando encalhou num recife. Os 41 milhões de litros de óleo cru derramados no mar causaram uma devastadora maré negra que invadiu 2 000 quilômetros de praias na costa do Alasca. Uma estimativa aponta a morte imediata de 400 000 aves, 300 focas, 22 baleias orcas e a eliminação de bilhões de ovos de salmão e arenque.
A ExxonMobil diz já ter gasto 3,4 bilhões de dólares em indenizações e projetos de recuperação ambiental na região. Estudos indicam que ainda há petróleo na areia das praias e em camadas submersas no oceano. O petróleo está desaparecendo a uma velocidade 80% menor que a esperada inicialmente e ainda afeta peixes, aves, mamíferos e moluscos.
- Da revista veja. -