Mostrando postagens com marcador Poesia.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesia.. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Se o meu mundo...

"Se o meu mundo não fosse humano,
também haveria lugar para mim:
eu seria uma mancha difusa de instintos,
doçuras e ferocidades,
uma trêmula irradiação de paz e luta."
Clarice Lispector.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Cancion desesperada.

La Canción Desesperada

Emerge tu recuerdo de la noche en que estoy.
El río anuda al mar su lamento obstinado.

Abandonado como los muelles en el alba.
Es la hora de partir, oh abandonado!

Sobre mi corazón llueven frías corolas.
Oh sentina de escombros, feroz cueva de náufragos!

En ti se acumularon las guerras y los vuelos.
De ti alzaron las alas los pájaros del canto.

Todo te lo tragaste, como la lejanía.
Como el mar, como el tiempo. Todo en ti fue naufragio!

Era la alegre hora del asalto y el beso.
La hora del estupor que ardía como un faro.

Ansiedad de piloto, furia de buzo ciego,
turbia embriaguez de amor, todo en ti fue naufragio!

En la infancia de niebla mi alma alada y herida.
Descubridor perdido, todo en ti fue naufragio!

Te ceñiste al dolor, te agarraste al deseo.
Te tumbó la tristeza, todo en ti fue naufragio!

Hice retroceder la muralla de sombra,
anduve más allá del deseo y del acto.

Oh carne, carne mía, mujer que amé y perdí,
a ti en esta hora húmeda, evoco y hago canto.

Como un vaso albergaste la infinita ternura,
y el infinito olvido te trizó como a un vaso.

Era la negra, negra soledad de las islas,
y allí, mujer de amor, me acogieron tus brazos.

Era la sed y el hambre, y tú fuiste la fruta.
Era el duelo y las ruinas, y tú fuiste el milagro.

Ah mujer, no sé cómo pudiste contenerme
en la tierra de tu alma, y en la cruz de tus brazos!

Mi deseo de ti fue el más terrible y corto,
el más revuelto y ebrio, el más tirante y ávido.

Cementerio de besos, aún hay fuego en tus tumbas,
aún los racimos arden picoteados de pájaros.

Oh la boca mordida, oh los besados miembros,
oh los hambrientos dientes, oh los cuerpos trenzados.

Oh la cópula loca de esperanza y esfuerzo
en que nos anudamos y nos desesperamos.

Y la ternura, leve como el agua y la harina.
Y la palabra apenas comenzada en los labios.

Ese fue mi destino y en él viajó mi anhelo,
y en él cayó mi anhelo, todo en ti fue naufragio!

Oh, sentina de escombros, en ti todo caía,
qué dolor no exprimiste, qué olas no te ahogaron!

De tumbo en tumbo aún llameaste y cantaste.
De pie como un marino en la proa de un barco.

Aún floreciste en cantos, aún rompiste en corrientes.
Oh sentina de escombros, pozo abierto y amargo.

Pálido buzo ciego, desventurado hondero,
descubridor perdido, todo en ti fue naufragio!

Es la hora de partir, la dura y fría hora
que la noche sujeta a todo horario.

El cinturón ruidoso del mar ciñe la costa.
Surgen frías estrellas, emigran negros pájaros.

Abandonado como los muelles en el alba.
Sólo la sombra trémula se retuerce en mis manos.

Ah más allá de todo. Ah más allá de todo.

Es la hora de partir. Oh abandonado!

Autor: Pablo Neruda

Ela, Adélia.

"Teu corpo seja brasa
e o meu a casa
que se consome no fogo
um incêndio basta
pra consumar esse jogo
um fagulha chega
pra eu brincar de novo."

- Adélia Prado -

O seu santo nome. cda.

"Não facilite com a palavra amor.
Não a jogue no espaço, bolha de sabão.
Não se inebrie com o seu engalanado som.
Não a empregue sem razão acima de toda razão
(e é raro).
Não bringque, não experimente, não cometa a loucura
sem remissão
de espalhar aos quatro ventos do mundo essa palavra
que é toda sigilo e nudez,
perfeição e exílio na Terra.
Não a pronuncie."
- C. D. de Andrade -

domingo, 21 de setembro de 2008

Outra vez, Cecília!

Realização da Vida.

Não me peças que cante,
pois ando longe,
pois ando agora
muito esquecida.

Vou mirando no bosque
o arroio claro
e a provisória
flor escondida.

E procuro minha alma
e o corpo, mesmo,
e a voz outrora
em mim sentida.

E me vejo somente
pequena sombra
sem tempo e nome,
nisto perdida
- nisto que se buscara
pelas estrelas,
com febre e lágrimas,
e que era a vida.

Cecília Meireles, Mar absoluto (1945)

domingo, 6 de julho de 2008

Outra vez...

Pablo:
" Mas se amo os teus pés
é só porque andaram
sobre a terra
sobre o vento
e sobre a água,
até me encontrarem."

- Amovocê, uma nova palavra
para o Português,
acabei de inventar.
E ficou lindinha deveras:
Amovocê - tudo junto...-

590º

"Ninguém venha me dar vida,
que estou morrendo de amor,
que estou feliz de morrer,
que não tenho mal nem dor,
que estou de sonho ferido,
que não me quero curar,
que estou deixando de ser,
e não quero me encontrar,
que estou dentro de um navio,
que sei que vai naufragar,
já não falo e ainda sorrio,
porque está perto de mim
o dono verde do mar
que busquei desde o começo,
e estava apenas no fim.
Corações, por que chorais?
Preparai meu arremesso
para as algas e os corais.
Fim ditoso, hora feliz:
guardai meu amor sem preço,
que só quis quem não me quis."
- Cecília Meireles -

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Borboleta

"No mistério do sem-fim,
equilibra-se um planeta.
No planeta, um jardim.
No jardim um canteiro
No canteiro, uma violeta
E, na violeta, o dia inteiro,
entre o mistério do sem fim
e o planeta,
a asa e uma borboleta."

- Cecília Meireles. -

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Mais Poesia, que é sempre bom...

Até quando?

Até quando terás, minha alma, esta doçura,
este dom de sofrer, este poder de amar,
a força de estar sempre – insegura – segura
como a flecha que segue a trajetória obscura,
fiel ao seu movimento, exata em seu lugar...?
- C.Meireles... -

domingo, 13 de abril de 2008

Amor meu.

"Para meu coração basta teu peito
para tua liberdade bastam minhas asas.
Desde minha boca chegará até o céu
o que estava dormindo sobre tua alma.
E em ti a ilusão de cada dia.
Chegas como o sereno às corolas.
Escavas o horizonte com tua ausência
Eternamente em fuga como a onda.
Eu disse que cantavas no vento
como os pinheiros e como os hastes.
Como eles és alta e taciturna.
e intristeces prontamente, como uma viagem.
Acolhedora como um velho caminho.
Te povoa ecos e vozes nostálgicas.
eu despertei e as vezes emigram e fogem
pássaros que dormiam em tua alma."
- Pablo Neruda -

Eu quisera.

" Eu quisera que todo o
meu ser não tivesse
um só segredo para ti.

Eu quisera muitas coisas
resumindo, eu só quero
que tu me queiras."

- Iyad ben Almed -

quinta-feira, 27 de março de 2008

Repetindo...

Como es duro este tiempo espérame:
vamos a vivirlo con ganas.
Dame tu pequeñita mano: vamos a subir,
vamos a sentir y saltar.
Somos de nuevo la pareja
que vivió en lugares de hirsutos,
en nidos ásperos de roca.
Como es largo este tiempo,
espérame con una cesta,
con tu pala,
con tus zapatos y tu ropa.
Ahora nos necesitamos no solo para los claveles,
no solo para buscar miel:
necesitamos nuestras manos para lavar
y hacer el fuego,
y que se atreva el tiempo duro a desafiar
el infinito de cuatro manos y cuatro ojos.

-Pablo Neruda -

- Alguns posts repito por sentir
necessidade deles - do Pablo sempre
preciso... -

Mário!!!

"Amar: Fechei os olhos para não te ver
e a minha boca para não dizer...
E dos meus olhos fechados desceram
lágrimas que não enxuguei,
e da minha boca fechada nasceram sussurros
e palavras mudas que te dediquei...

O amor é quando a gente mora um no outro."

- Mario Quintana -

Mais Poesia.

É preciso não esquecer nada
É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.

É preciso não esquecer de ver
a nova borboleta
nem o céu de sempre.

O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz,
o ritmo do nosso pulso.

O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.

O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.

Cecília!!!

"Atravessaremos a pedra,
o vidro, o metal, as palavras.
Atravessaremos o coração,
como quem se mata.

Atravessaremos um novo mar desconhecido,
correremos Áfricas e Ásias, pólo e trópico,
e jogaremos nossa vida entre as estrelas."
- C. Meireles -

terça-feira, 18 de março de 2008

Você, só você!!!

Giz
E mesmo sem te ver
Acho até que estou indo bem
Só apareço, por assim dizer
Quando convém aparecer
Ou quando quero
Quando quero
Desenho toda a calçada
Acaba o giz, tem tijolo de construção
Eu rabisco o sol que a chuva apagou
Quero que saibas que me lembro
Queria até que pudesses me ver
És parte ainda do que me faz forte
Pra ser honesto
Só um pouquinho infeliz
Mas tudo bem
Tudo bem, tudo bem...
Lá vem, lá vem, lá vem
De novo
Acho que estou gostando de alguém
E é de ti que não me esquecerei
Está tudo bem, tudo bem..

- O(a) autor(a) desconheço, se me
enviar o nome coloco aqui - agradecida!!! -

domingo, 2 de março de 2008

Nada e Tudo!

em algum lugar onde nunca estive
e. e. cummings
tradução de Jorge Wanderley

em algum lugar onde nunca estive,
e felizmente aquém
de qualquer experiência,
teus olhos guardam seu silêncio:
em teu gesto mais frágil
há coisas que me envolvem
ou que não posso tocar
porque estão muito próximas
teu olhar mais leve facilmente me descerra
embora eu me tenha fechado como dedos,
e me entreabres sempre,
pétala por pétala, como a Primavera
(por toques habilidosos, misteriosamente
abre a primeira rosa
ou se teu desejo é me fechar, eu e
minha vida nos fecharemos formosa
e rapidamente
como quando o coração desta flor imagina
que a neve - cuidadosamente -
está caindo em toda a parte;
nada do que podemos perceber
neste mundo se compara
ao poder de tua intensa fragilidade;
cuja textura
me compromete com a cor de seus países
e me entrega para a morte cada vez que respiro
(nada sei do que te faz tão poderosa
ao me mover; mas algo em mim compreende apenas
que a voz de teus olhos
é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva,
tem as mãos tão pequenas.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Te amo.

Quero
Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.

No momento anterior
e no seguinte, como sabê-lo?
Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.

Do contrário evapora-se a emoção
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes apagas
teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.

Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor saltando da língua nacional,
amor feito som vibração espacial.

No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.

Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.

- Drummond - (adaptado)- Eu.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Para iluminar o blog e quem o vê, lê.

O mar batia em meu peito,
já não batia no cais.
A rua acabou, quede as árvores?
a cidade sou eu
a cidade sou eu
sou eu a cidade
meu amor.
CDAndrade.Poeta mineiro.
De: “Alguma poesia”. In: Poesia completa.
Org. de Gilberto Mendonça Teles.
Introdução de Silviano Santiago.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p.20-12.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Poema...

poema sem título

Y esas difíciles
Palabras
Que siempre temí
Decir
Pueden decirse
Ahora:
Te amo.

- Bukowski -