nalgum lugar em que eu nunca estive,
alegremente além
de qualquer experiência,
teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há
coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar
porque estão demasiado perto
teu mais ligeiro olhar
facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado
como dedos, nalgum lugar
me abres sempre pétala
por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente, misteriosamente)
a sua primeira rosa
ou se quiseres me ver fechado,
eu e
minha vida nos fecharemos belamente,
de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente
descendo em toda a parte;
nada que eu possa perceber
neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade:
cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e
o sempre cada vez que respira
(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre; só uma parte de mim
compreende que a
voz dos teus olhos é mais
profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva,
tem mãos tão pequenas
(e. e. cummings)
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
Em forma de
Poesia:
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