domingo, 6 de janeiro de 2008

Mais de 15 anos...

Mais de 15 anos são necessários para superar
desigualdade entre brancos e negros no ensino
Agência Brasil
Embora a desigualdade entre brancos e negros
no que se refere presença no ensino fundamental
tenha diminuído nos últimos dez anos,
nos níveis médio e superior há assimetrias
que só poderiam ser superadas no prazo de 17 anos.
A conclusão é do levantamento elaborado
pelo Laboratório de Análises Econômicas,
Históricas, Sociais e Estatísticas das
Relações Raciais (Laeser) do Instituto
de Economia da Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ).
O estudo integra o quarto capítulo dentre
os 11 que vão compor o 1º Relatório das
Desigualdades Raciais no Brasil, que deve
ser concluído em março e atualizado a cada ano.
Segundo o pesquisador da entidade Marcelo Paixão
nos últimos dez anos houve uma queda na diferença
tempo de estudo entre negros e brancos.
Entre 1996 a 2006, foi registrado um aumento
de 1,6 ano de estudo entre os brancos com
idade acima de 15 anos. Entre os negros da
mesma faixa etária, o crescimento foi de
1,9 ano de estudo.
"A diferença entre os dois grupos se reduziu
em 0,3 ano de estudo. Se essa queda
essa média, a redução das desigualdades
se esgotaria em não menos que 17 anos".
Ele lembra que, normalmente, o prazo para
a conclusão do ensino fundamental e médio
é de 11 anos. Ou seja, dizer que vai demorar
17 anos significa dizer que haverá pelo
menos duas gerações ainda com desigualdades.
Para o pesquisador, o acesso ao segundo grau
é o principal gargalo da educação brasileira.
Segundo ele, os principais indicadores para
medir a qualidade do ensino são as defasagens
entre a idade da pessoa e a série em que
ela e entre o número de matrículas
determinada série e a idade das crianças
que a freqüentam.
Nesse sentido, diz Paixão, o percentual
de jovens com idade entre 15 a 17 anos
que estudam em série compatível é muito
baixo especialmente para a população negra.
Isso sinaliza que, se por um lado ocorreu
uma universalização no primeiro grau,
ainda temos um duplo desafio.
Segundo Paixão, a queda na desigualdade
está relacionada principalmente s taxas
de cobertura do sistema escolar.
Houve uma expansão da freqüência escolar
na população entre sete e 14 anos de idade.
Isso trouxe a equiparação dos indicadores
de jovens negros e brancos no Brasil,
o que não significa que a diferença da
qualidade do ensino para ambos tenha caído
em igual proporção".
Desmembrando os dados, Paixão informa que
80% da população branca entre sete e 14 anos
de idade estuda em escola privada e 20%
em escola pública.
"Mas menos de 10% de crianças negras estudam
em escola privada. Considerando as defasagens
nos sistemas público e privado, isso também
denota o quanto é importante para a população
negra a melhoria na educação pública",
observa o pesquisador. "Enquanto ela não ocorrer,
a qualidade do ensino para os negros será
muito aquém que a de brancos.

- Tempo demais, prá quem já sofre tanto...- Eu.

Nenhum comentário: