quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Mais um pedaço...

E se eu tivesse dúvidas sobre isto,
aqui nesta Feira de Livros de Frankfurt,
onde as notícias , em geral,
giram em torno de cifras de milhões,
tanto de leitores de tal ou qual autor ou,
então, de quanto o romancista X ou Y
recebeu de adiantamento por um livro
ainda não escrito, nesta feira pragmática
e globalizada, a poesia abriu uma clareira
nos espessos interesses da selva capitalista.
É que, no meio de tantos estandes onde os livros,
como num esquife, aguardam que alguém lhes
dê vida com o sopro de sua leitura,
o "Internazionales Zentrum" instalou
um auditório onde poetas convidados se apresentam.
E preparou uma jornada especial chamada de
"A noite dos 1001 poemas", onde oito poetas
selecionados, da China ao Iraque, da Argentina à Angola,
do Marrocos à Guatemala, do Canadá ao Brasil,
dizem seus poemas. Enquanto falamos,
aparece num telão a tradução para o alemão.
E após uma espécie de "talk show",
em que cada um responde questões sobre
sua vida e obra, atores alemães fazem a leitura
final de mais poemas de cada autor.
São cinco horas ininterruptas de poesia.
As pessoas passam, param e ficam ouvindo
esses estranhos seres caídos de outra galáxia.

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